segunda-feira, 30 de novembro de 2015

PALAVRAS QUE QUEREM SER GENTE


Por Rickardo Medeiros

Já ouvi dizer que os livros têm vida própria. Acredito nisso! As palavras de um escritor inspirado tomam caminhos próprios, algumas até percorrem alamedas inimagináveis pelo criador, outras, conseguem elevar-se tanto que vão muito acima das opiniões alheias voando nas asas de quem a buscam. Enquanto isso, minhas palavras procuram leitores para inflamar a vida, chocar covardes, inspirar novas juventudes, tornar-se alma dos sonhos dos outros que sonham com a liberdade e ganhar o status de gente. – A sorte grande será minha que, na velhice, poderei dizer que tudo o que na minha juventude eram apenas pensamentos, sentimentos fecundantes, animadores, edificantes, esclarecedores, continuarão vivendo nas minhas palavras, e elas próprias representarão as cinzas do fogo que me fazia arder a vida. Esse fogo que quis espalhar-se por toda parte e foi levado adiante nas páginas de um livro inacabado. -Se considerarmos que tudo o que escrevemos, vai provocar alguém e ocasionar outras ações, decisões e pensamentos, que a vida de muitas outras pessoas estará indissoluvelmente ligada as nossas palavras, perceberemos aí a verdadeira imortalidade: a imortalidade dos versos e do movimento. O que uma vez se move pelo verbo de alguém estará eternizado nesse ciclo de vida.
Existem sim palavras que querem ser gente, palavras que querem ensinar a viver, a querer, a lutar. Há palavras que, por exporem o impraticável como praticável e falarem sobre coisas, como se essas fossem loucuras e essas loucuras provocassem em nós um sentimento absoluto de liberdade, adquirirá algo de mim, um homem de palavras significativas representado melhor quando tomo o branco de uma página para escrever a minha própria loucura de vida.
Sempre fui assim: disposto a descrever minhas vivências e sensações dando as minhas experiências palavras com afetos e fogo. Considero-me um pouco artista porque a partir do pouco que senti e sinto, consigo adivinhar bastante. Não fui homem de muitas paixões, mas de grandes paixões! Daí pensei: - basta escrever, conceder livres meus sentimentos e desejos e pronto! Logo as pessoas perceberão o quanto fui e sou apaixonado. E de fato! Com frequência fui um indivíduo desenfreado, justamente na medida de minhas palavras: mas isso é outra coisa.

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