POR RICKARDO MEDEIROS
Dizem que quem
ama não vacila. Será assim mesmo? Será que é realmente possível viver uma
relação isenta de vacilos? Se você respondeu sim penso que seria bom rever suas opiniões a cerca dos
relacionamentos.
É
certo que durante toda a nossa vida amamos em uma gama de afeições díspares em
níveis e intensidades, e claro, estes sentimentos costumam receber milhares de
rótulos: amizade, carinho, ternura, companheirismo, entre outros. Porém, na
realidade, o que costumamos constatar é que nem sempre quem diz amar, esse amor
dá-se por vias incorruptíveis. Um exemplo disto pode ser visto em certos tipos
de relações estáveis, onde encontramos o exercício do “contrato” mascarado sob
a roupagem do “amor”. Aqui, diante das inúmeras dificuldades de convivência, os
cônjuges numa hora ou outra, ou num determinados tempo, acabam transformando
suas juras de amor em algo secundário que fica guardado dentro do próprio lar,
ou em uma gaveta.
Mas,
será que a infidelidade é inerente ao
ser humano? O amor poderá nos blindar contra os desejos que surgem
involuntariamente? Diz-se que, enquanto no amor temos a compensação daquilo que
nos falta, nos outros não encontramos o apreço,
porque o objeto do amor torna-se alvo de
todo afeto. Desta forma, quando alguém nos diz que nos amará para sempre está
jurando um comportamento constante de fidelidade. Podemos afirmar com certeza,
que o que ela sente por esta pessoa é tudo o que comporta sua área de
afetividade. Isto porque o amor é um
sentimento que predispõe a alguém. Mas aqui o meu foco está voltado para o exterior,
para o lado altruísta do ser humano, baseado nas experiências amorosas de minha vida.
Como o amor não
cobra, não exige, simplesmente quem ama deve ser incondicional. Para estes indivíduos, a
própria felicidade encontra-se atrelada ao bem-estar daqueles que eles
escolheram ser o objeto de seu apreço, pois eles bem sabem que é impossível
separarmos aquilo que nunca esteve unido de fato e que o amor pode se expressar
de outras formas aquém da exclusividade física. Certamente,
aqui não queremos dizer que a exclusividade sexual é uma utopia. O fato é que o
amor não nos blinda quando outro alguém, que julgamos atraente, cruza nossos
caminhos. Porém, se estamos focado no objeto do nosso amor, esta pessoa é por
que talvez eu a tenha escolhido, me trará razões suficientes para superar
certos vacilos. Lembremos que o tempo é um grande sábio e, como dizem, o melhor
remédio para curar nossas feridas e enxergarmos com clareza a realidade das
nossas vidas. Quando o amor se faz
presente em nossos corações, conseguimos nos perdoar e aos outros também,
entendendo que as pessoas passam por nossas vidas, para que possamos vivenciar
lições úteis ao desenvolvimento de ambos.
Aprendamos,
pois, a transformar o amor em amor, a olhar o que de positivo fica depois de
tantos erros. Pois sabemos que o que fica de uma relação é o que de verdadeiro
existia nela: carinho, amizade, respeito (sinceridade). Porque o respeito
ultrapassa a dimensão do outro. É preciso respeitar-se a si mesmo, despojando-se
dessa falsa ideia de que amor nos torna super-homens. O amor não precisa de
condições, ele basta por si só. Sendo assim, se apenas podemos refletir no
mundo aquilo que temos dentro de nossa alma, que este algo seja o exercício do
AMOR INCONDICIONAL, pois através dele os erros nunca encontrarão espaço para interromper
uma verdadeira história de amor.

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