quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

PERDER POR MEDO DE PERDER


POR RICKARDO MEDEIROS

Com o tempo aprendi que na vida tudo é interrompido. Sejam elas coisas boas ou ruins. Tudo acaba sendo obstruído. Depois de reler meus escritos de quatro anos atrás passei a meditar seriamente nessa ideia da perda. Longe de eu parecer pessimista. - Nunca! Mas, a vida despontou-me para sua atroz realidade. E confesso! É difícil acostumar-se com isso. Após um longo tempo acabei enveredando por esse caminho de detrimentos, perdendo direções, focos, chances, cargos, pessoas... e sobretudo o fulgor dos olhos daquele fulano. Com isso também vai se perdendo o que para nós, pessoas, é fundamental: o sabor da vida. – E isso é calamitoso! E pensei muito... Pensei no quanto perdi... e tive medo de continuar pensando nisso, porque pensar na perda, me leva a antecipar o sofrimento das coisas que ainda ei de perder. Daí decidi não olhar mais para o dano e sim para o que tenho a ganhar com ele. E constatei que, de tudo que se perde, se pode tirar um bom resultado. Até das coisas mais doridas. Não sei ao certo onde ouvi isso, mas enfim, essa teologia de lhe dar com a perda é justificável. E depois de tanto tempo, ganhei um jeito novo de afrontar o espírito e essas coisas que inevitavelmente perdemos. Foi enveredando pelos caminhos do equívoco, da agonia e do esquecimento que acabei descobrindo novas luzes para as minhas fés. E é por esse traço que abalizo hoje minha existência. É compreender que tudo é transitório e o nosso “eterno” é temporário. E que preciso viver intimamente o agora, sempre com a ideia do efêmero. Só depois de tanta reflexão a cerca da perda que passei a apreciar mais o que trago, e que talvez não o tenha daqui a algumas horas, alguns dias, alguns anos. Sabe lá o tempo que estas coisas ou pessoas estão destinadas para minha vida. O bom mesmo é saber aproveitá-las. É saber eternizá-las a  cada momento. É não deixar passar a vida como aquele vento que sopra no rosto ou como a água da torneira que escapa por entre os dedos. É preciso saber conservá-la o quanto se pode, mesmo sabendo que não se pode.

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