quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

ELE NÃO É MEU! ELE ESTÁ EM MIM

POR RICKARDO MEDEIROS

Ele não é meu! Ele está em mim...
Sou mesmo assim! Um ser humano idiotificado pelo veneno do amor. Que posso fazer com ele? Tão teimoso padecedor e benévolo.  A verdade é que ele não é meu! Ele apenas está em mim. E eu o transporto com as forças que ainda trago. - O que posso fazer?
Ele é assim: compassivo e birrento. Mas eu sei! Esse é o ônus da vida. Ele toca, ofega, sente a existência. Mas como pode meu Deus, ele ser tão intransigente? Como? Pergunto-me incansavelmente por que ele é livre para persistir nas suas elejas e eu não?
Schopenhauer tinha razão ao dizer: “A vida é negada por ele. Ele torna a vida ainda mais digna de ser negada”. Essa sua tendência depressiva e contagiosa contradiz os meus instintos de conservação e de valorização da minha própria vida. E eu,  sob o domínio sublime de seu gosto, sem forças e prisioneiro: deparo-me outra vez frente a essa tendência hostil à minha vida.  
Aristóteles, como se sabe, via o amor como estado mórbido e perigoso, que seria útil extirpar de quando em quando por meio de um purgatório: para mim, o purgatório é a apartada.  Em nome do instinto vital, devo efetivamente arranjar um meio de enfraquecer essa  paixão, tão mórbida e nociva.
No meio da nossa venenosa modernidade e de tantas emoções efêmeras se faz necessário sermos racionalistas. É preciso ter visto de perto certas fatalidades, melhor ainda, é preciso tê-las vivido, para aqui entender de que não há nada de exagero no que falo.
Enquanto esse coração insistir em ser superior a mim, negando-me e esquecendo-se de minhas lógicas, esse guarda, caluniador e envenenador da minha própria vida, não me deixará encontrar a resposta para a pergunta: O que é o amor? Virou-se já a verdade de cabeça para baixo, quando o coração inconsequente do nada e da negação de mim se considera como o representante das decisões de minha vida.

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