POR RICKARDO MEDEIROS
Ele não é meu! Ele está em mim...
Sou mesmo assim! Um ser humano
idiotificado pelo veneno do amor. Que posso fazer com ele? Tão teimoso
padecedor e benévolo. A verdade é que
ele não é meu! Ele apenas está em mim. E eu o transporto com as forças que ainda
trago. - O que posso fazer?
Ele é assim: compassivo e birrento.
Mas eu sei! Esse é o ônus da vida. Ele toca, ofega, sente a existência. Mas
como pode meu Deus, ele ser tão intransigente? Como? Pergunto-me
incansavelmente por que ele é livre para persistir nas suas elejas e eu não?
Schopenhauer tinha razão ao
dizer: “A vida é negada por ele. Ele torna a vida ainda mais digna de ser
negada”. Essa sua tendência depressiva e contagiosa contradiz os meus instintos
de conservação e de valorização da minha própria vida. E eu, sob o domínio sublime de seu gosto, sem forças
e prisioneiro: deparo-me outra vez frente a essa tendência hostil à minha vida.
Aristóteles, como se sabe, via o
amor como estado mórbido e perigoso, que seria útil extirpar de quando em quando
por meio de um purgatório: para mim, o purgatório é a apartada. Em nome do instinto vital, devo efetivamente
arranjar um meio de enfraquecer essa paixão,
tão mórbida e nociva.
No meio da nossa venenosa
modernidade e de tantas emoções efêmeras se faz necessário sermos racionalistas.
É preciso ter visto de perto certas fatalidades, melhor ainda, é preciso tê-las
vivido, para aqui entender de que não há nada de exagero no que falo.
Enquanto esse coração insistir em ser superior
a mim, negando-me e esquecendo-se de minhas lógicas, esse guarda, caluniador e
envenenador da minha própria vida, não me deixará encontrar a resposta para a
pergunta: O que é o amor? Virou-se já a verdade de cabeça para baixo, quando o
coração inconsequente do nada e da negação de mim se considera como o
representante das decisões de minha vida.
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