domingo, 7 de dezembro de 2014

“A ESCOLA PARA MIM” OU “EU PARA A ESCOLA”



POR RICKARDO MEDEIROS

Uma escola torna-se realmente uma irradiadora de luz, quando não só o aluno, mas também incluo aqui, gestores, professores e funcionários, estiverem perfazendo o caminho de “a escola para mim” ao “eu para a escola”, quer dizer, quando todos estiverem acatando-se, sem exclusões, respeitando as individualidades diversas. Essa é a passagem daquelas teorias, que só vemos impressas nos parâmetros e diretrizes para o que é ideal, funcional e efetivo.
A escola jamais pode ser vista como uma máquina propagadora de continuidades. Ela não é um lugar onde todos devem estar voltados para as mesmas realidades, quererem as mesmas coisas, comungarem da mesma visão e ideal, muito menos ainda um ninho de víboras. É o lugar em que cada um, ou melhor, em que a maioria (temos de ser realistas) está saindo da ignorância do egocentrismo para uma vida em comum com a pluralidade.
Há na escola muita gente sem noção, muitos gritos sem respostas, muitas crianças e jovens sofrendo no silencio. Quando o aluno se percebe dentro de um espaço e que está ali, não sozinho, mas em meio a uma pluralidade de gêneros, crenças, ideologias e costumes, forçam-se a acolher e se reconhecer em meio a essa diversidade, é então que eles vivem plenamente o “eu para a escola”. Um lugar que passa a ser luz no mundo de trevas, uma fonte de enriquecimento da sociedade.
Quando digo “eu para a escola” quero mostrar, e deixar bem claro, que não é a instituição que deve moldar-se a nossos princípios e sim os nosso princípios que precisam harmonizar-se a ela. - Tudo isso não é fácil! Eu que sou professor e estou diariamente convivendo com essa realidade, percebo que não é tão simples transformar uma sociedade. A princípio é algo desanimador, - mas o querer não é sentir! Não se trata de uma emoção ou sentimento. Nós docentes devemos encarar nossos desafios como muita paciência e resignação, assim como o aluno também deve entender que o respeito é uma atenção especial ao outro que, claro, vai evoluindo com o passar do tempo e construindo em nós uma percepção de importância. Respeitar é escutar, se colocar no seu lugar, compreender, é ver que o outro também é importante nesse papel de construção social. O respeito é uma força unificadora que nos leva a ascensão.
Se na escola o respeito está voltado um para o outro, está voltada para realidades diversas. É perceber nessa heterogeneidade quereres distintos, visões diversas, diferentes ideais. É querer que o outro se realize plenamente, segundo a sua percepção de mundo, de vida; é querer que ele seja fiel a sua essência e livre para respeitar e amar com todas as dimensões do seu ser.
Para que o aluno faça essa passagem do egoísmo, de “a escola para mim” ao “eu para a escola” e a escola para a sociedade e para aqueles que dela precisam, é necessário conscientização, tempo e muitas purificações de mentes adoentadas por uma cultura de preconceito. Para respeitar é necessário mudar conceitos. O caminho para uma escola universalizada é tecido de muito sacrifício e trabalho. A raiz do preconceito é profunda nas nossas consciências. É muitas vezes a nossa primeira reação de defesa, de agressividade, de procura de reafirmar-se.
Respeitar não é somente um ato voluntário, mas é uma sensibilidade e uma inteligência purificada que se volta a olhar para o outro. A escola começa a mudar-se e a mudar uma sociedade quando se tem um esforço mútuo para acolher e compreender cada um tal como ele é.

Nenhum comentário:

Postar um comentário